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TRILOGIA XENOGÊNESE - OCTAVIA E. BUTLER

Demorei muito para cair nas redes da distopia de Octavia E. Butler. Posso dizer que demorei tempo demais. Muitas distopias que li, certamente beberam da fonte dessa autora incrível que teve a capacidade de me jogar em um universo completamente novo a ponto de eu parar de questionar as atitudes daquela sociedade. Eles eram assim e ponto.

Meu primeiro contato foi com o Despertar, primeiro livro da trilogia Xenogênese. O nome da trilogia, por si só já nos alerta para o universo novo que vai surgir, na etimologia significa “A produção de prole que não se assemelha a nenhum dos dois pais e tem um ciclo vital inteiramente diferente.”


Começamos a ter contado com nomes desconhecidos, como Nikanj e nomes antigos e cheios de significados, como Lilith. São culturas e conhecimentos se misturando em nível molecular. Certamente esse é o ponto mais profundo da ficção científica que Octavia Butler propõe.

Raça, gênero, política, tudo em um caldeirão de discussões e questionamentos que permeiam o livro todo, mas só percebemos se tivermos o mínimo de atenção. E caso você pense que esta leitura é simplesmente uma distração, o final de cada livro da trilogia te puxa pelas pernas e te coloca na realidade com diversos questionamentos a respeito do que foi lido no livro, a primeira pergunta é: Quais os impactos psicológicos dessa prática?

Eu assumo que quando fui provocada com essa pergunta, precisei revisitar o texto para poder absorver e maturar as ideias propostas.

No primeiro livro acompanhamos a história centrada no Despertar da nova sociedade e o Despertar de Lilith, a primeira mulher a entrar em uma espécie de cooperação com a nova sociedade. No segundo, acompanhamos Ritos de Passagem pela transformação do jovem Akin em adulto e também no Rito de transição dessa sociedade. Chegamos a Imago com a sensação de que tudo que poderia ter sido criado, já teve a história contada e nos deparamos com Jodahs. Imago significa “designa uma imagem inconsciente de objeto, realizada e construída em idades precoces e que fica investida pulsionalmente” e Jodahs é assim. Lá em 1989, Octavia E. Butler nos questionava quanto ao uso apropriado dos pronomes e ainda hoje isso ainda perdura.

A trilogia se encerra e não deixa gostinho de ‘quero mais’, deixa desconforto, deixa questionamento, deixa ciclos completamente encerrados! Uma escrita brilhante!


 
 
 

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